PROJETO COLETA DE VESTÍGIOS

•novembro 24, 2009 • Deixe um comentário

O projeto tem como ponto de partida os aspectos monumental e sagrado de um sambaqui, sítio arqueológico pré-histórico localizado na região de Laguna, Sta. Catarina, o qual é sobretudo um cemitério e portanto resultado da repetição de cerimônias fúnebres durante mais de mil anos, cerimônias que geraram a acumulação de grandes quantidades de restos faunísticos e de vestígios culturais compondo intrincada camada estratigráfica e, estima-se que 43.480 pessoas estejam sepultadas. Pesquisas recentes demonstram que a exata mensagem emitida por esse sambaqui às pessoas que habitavam o seu entorno, no período da sua construção, foi perdida pela passagem do tempo.

Nesse contexto o projeto explorará os aspectos monumental e sagrado desse sambaqui através dos vestígios dos sepultamentos que o compõem e, a partir do conceito de rastro segundo o filósofo francês Emmanuel Levinas, entre outros, para quem o rastro é a ausência de uma presença, “aquilo do qual propriamente falando nunca esteve lá, do qual é sempre passado”.

O projeto, ao resgatar a nossa memória ancestral pré-colonial, proporá ao público uma reflexão sobre a necessidade atual de trazer a tona no campo das artes e da vida as forças de criação e resistência que operam através do “corpo vibrátil” em um exercício intenso do sensível, em uma relação com o mundo como um campo de forças e não como forma e representação. Forças que foram soterradas no passado pelos regimes colonial e ditatorial, que vivemos e que são hoje pelo sistema capitalista neoliberal mundial. Ele, será portanto, uma tentativa poética de tornar o invisível sensível, de tornar sensível as mensagens emitidas pelo sambaqui perdidas no tempo reconectando-o aos seus aspectos sagrados e simbólicos.

O projeto explorará em todos os seus aspectos o conceito de rastro a partir das imersões físicas que venho realizando no sambaqui e que tem como objetivos a investigação da relação do corpo com o ambiente, a captação de imagens em vídeo, a coleta de sons e de vestígios materiais que comporão o espetáculo que terá como característica a intersecção da dança com as artes visuais ( vídeo, instalação e performance). Para isso venho pesquisando obras de artistas de “land art” como Ana Mendieta e Roberto Smithson e sua teoria de “non site’.

DSC00760 foto: Cainan Baladez

DSC00776 foto: Cainan Baladez

DSC00853 foto: Cainan Baladez

CURRÍCULO

MARTA SOARES

Marta Soares é dançarina e coreógrafa. Completou o One Year Course no Laban Centre for Movement and Dance em Londres.

Em Nova Iorque completou o bacharelado em artes (BA) na State University of New York (SUNY), o Certificado em Analise de Movimento Laban (CMA) no Laban/Bartenieff Institute of Movement Studies (LIMS). Estudou e trabalhou com a diretora e dramaturga Lee Nagrin (membro formador do grupo “The House” dirigido por Meredith Monk e ganhadora do Prêmio OBIE) e nas escolas Movement Research , Susan Klein , Alwin Nickolais entre outras. Apresentou os seus trabalhos em vários teatros downtown de Nova Iorque entre os quais destacam-se: PS 122, DIA Arts Foundation e The Knitting Factory.

Recebeu a Bolsa para artistas da Fundação Japão através da qual estudou dança butô com Kazuo Ohno em Tóquio.

No Brasil criou o solo “Les Poupées” (Prêmio APCA 1997 na categoria Pesquisa em Dança) com o apoio da Bolsa Rede Stagium ; o trabalho em grupo “Formless” (Prêmio APCA 1998 na categoria trilha sonora desenvolvida por Lívio Tragtenberg) com o apoio do Prêmio Estímulo Flávio Rangel de Artes Cênicas do Ministério da Cultura e Funarte; o solo “O Homem de Jasmim” (Prêmio APCA 2000 nas categorias concepção/ direção e vídeo/cenografia) com o apoio da Bolsa Vitae de Artes e do Prêmio Estímulo de Dança – Novas Linguagens Coreográficas da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo apresentado na Mostra Rumos Dança 2000/2001 no Itaú Cultural. Colaborou com a bailarina Miriam Druwe como orientadora na criação do solo “ Estar Sendo” apresentado na Mostra Livre Transito no evento Dança em Pauta no Centro Cultural Banco do Brasil. Recebeu a Bolsa para Pesquisa e Criação Artística da John Simon Guggenheim Foundation através da qual criou o solo “O Banho” (Prêmio APCA 2004 na categoria instalação coreográfica) o qual teve a sua estréia na Galeria Vermelho na Mostra Rumos/Dança 2003/2004 do Itaú Cultural. Dirigiu o solo "206", interpretado pela bailarina Lilia Shaw para o evento Solos em Questão da Cia. 2 do Ballet da Cidade de São Paulo (Prêmio APCA 2004 na categoria instalação coreográfica). Desenvolveu o espetáculo em grupo “Um corpo que não agüenta mais” com o apoio do I e IV Programa Municipal de Fomento a Dança da Secretaria de Cultura da Prefeitura da Cidade de São Paulo, o qual teve a sua estréia na Mostra SESC de Artes Circulações em 2007 e, uma segunda temporada no Espaço Viga em 2008. Recentemente recebeu o VI Programa Municipal de Fomento a Dança da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo e o Prêmio Rumos Dança do Itaú Cultural 2009 para desenvolver a pesquisa “Coleta de Vestígios”. Os seus trabalhos tem sido apresentado em vários festivais entre os quais destacam-se: In Transit em Berlim, Fórum Internacional de Dança em Belo Horizonte (FID), Festival Panorama RioArte de Dança, Festival Porto Alegre Em Cena, Festival de Dança de Recife , Bienal Internacional de Dança do Ceará , Festival de Dança de Araraquara e Festival de Dança de Joinville. É mestre em Semiótica Comunicação pela Universidade Católica de São Paulo (PUC) onde leciona no Curso de Comunicação das Artes do Corpo e é doutoranda no Programa de Psicologia Clínica.

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